quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Se eu pudesse falar com Deus



                  Se eu pudesse falar com Deus, faria muitas perguntas como de uma criança no colo do Pai querendo conhecer o mundo "- Mas porque?". Aquele colo parecido de quando era pequena, que com medo ou tristeza fugia para os braços largos e cansados de papai no fim da tarde. Não vejo Deus com os olhos daqueles que querem provar que Ele existe. Como ir pro espaço e não O encontrar. Não vejo Deus como um senhor barbudo que vive condenando os pobres mortais do andar de baixo por não fazer aquilo que Ele quer. Há quem acredite que Ele só funcione através do sistema de trocas, como na época do senhores e vassalos. Não olho Deus como um homem que vive longe nas nuvens espiando as nossas tragédias sem fazer nada. E tampouco acredito que Ele nos jogou nesse mundo à própria sorte pra servir de experimento como ratos de laboratório. Não. Ele tem bom humor. Tem poesia. Tem beleza e talvez até viva de música. Só escutar o vento, o barulho do mar, o som da chuva, a água do rio que corre. Só ver a linha do horizonte e tentar descobrir o que é que tem do outro lado. Só tentar medir a quantidade de gotas que compõe o imenso oceano. É perfeito. Na ânsia de querer tanto encontrar Deus, esquecemos pequenos momentos onde talvez Ele parou, sentou e ficou ali quietinho. Se Deus não existisse, um homem pobre vindo dos quintais miseráveis de Roma não teria mudado o mundo há mais de 2000 anos. Outro alguém mudou tanto? Nessas conversas de crenças, de quem é o melhor, quem é o pior, quem faz mais, quem faz menos, quem está errado, quem está certo, prefiro continuar dedilhando umas notas no violão na certeza que Ele vai parar ali e cantar comigo. Nem que eu não O escute. Eu cantarei.

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