quarta-feira, 20 de julho de 2011

Um pequeno texto aos meus amigos

                    



               E disse me disse que hoje é dia do amigo. É.. hoje é dia do amigo. Aquele que tem o melhor abraço, a melhor risada e o maior ombro do mundo. Alguns amigos já devem estar com algum deslocamento ou luxação de tanto emprestarem seus ombros pra eu rir e chorar. Faz parte. Mãe, irmão, prima, namorado, avó, tia, cachorro e os propriamente ditos amigos. Todos são. Conheci pessoas que me fizeram crescer e que de alguma forma não as vejo mais. Queria poder encontrá-las novamente. Outras que ainda tenho em meu convívio, mas tento segurá-las como se fosse um balão de gás hélio. Talvez um dia elas vão embora e a distância seja longa demais para um fio de telefone. Mas se seu amigo voltar, é porque deixou uma parte dele com você. Tenho amigos de oração, de anos 80, de bagunça, de banda, de faculdade, de arte, de risos, de música, de trabalho, de broncas, de escola... Todos de alguma maneira  ajudaram ou me ajudam a subir um degrau daquilo que eu chamo de vida. É como se cada um fosse uma peça importante para o meu trem seguir em frente. E ele vai seguindo. Novos amigos virão, novas paradas, mas aqueles que eu já tenho serão os selos da minha bagagem. Os amigos verdadeiros... ah esses amigos verdadeiros... eles são pra mim como o Woody de Toy Story: "O Woody tem sido meu amigo desde sempre, é corajoso como um cowboy deve ser, é gentil, inteligente, mas o que faz o Woody especial, é que ele nunca desiste de você. Nunca. Ele vai estar contigo pro que der e vier." É... tenho sorte.        

terça-feira, 17 de maio de 2011

O retorno das andorinhas

                
                Retorno. s.m Ato ou efeito de retornar; regresso, volta, reaparição. É o que um dicionário online diz. Eu definiria retorno como um ato de saudade. Saudades de criticar o que me inquieta, de compartilhar uma alegria, uma dor e principalmente de fazer jus ao título do blog: o som da chuva. Fiquei esses últimos meses fora de órbita, em algum lugar do espaço, freneticamente gritando com os outros em busca do nosso ouro perdido em uma terra sem lei. Talvez tenhamos perdido mesmo. Não por não lutarmos. Mas traídos pelo beijo de Judas. Sim traídos em nome do dinheiro, fome de poder e falta de caráter. Eu vi de perto essas pessoas. Agora não chove na cidade, ainda bem. Mas eu precisei vir aqui, ouvir o som da chuva e parar um pouco. Respirar um pouco. Descansar um pouco. Olhando a conta do que aconteceu nesses quase 80 dias, ouvi o que eu não queria ouvir e vi o que não queria ver. As pessoas são miseráveis porque querem. E ainda nos mantém reféns da miséria. Não entrei no combate por ingenuidade, sabia que ia levar um tiro. Mas pior do que isso é levar uma punhalada nas costas por quem você pensa que está contigo. Mas a vida é um eco. O mundo dá voltas. Sempre deu. É por isso que prefiro confiar nos meus cachorros, são mais "humanos" do que muita gente que eu vejo por aí. A vida segue, uma andorinha retorna. Mas um dia ela vai partir em busca do melhor. Como sempre fez. 



Nada a temer senão o correr da luta
Nada a fazer senão esquecer o medo
Abrir o peito a força, numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura
Longe se vai
Sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir
O que me faz sentir
Eu, caçador de mim

(Caçador de mim - Milton Nascimento)

domingo, 16 de janeiro de 2011

O quebra-cabeça


                Às vezes me pergunto se a morte é um alívio. Às vezes imagino o que há depois dela. E como sempre, eu não tenho respostas prontas. Se as tivesse, viver seria apenas um cumprimento de horários e calendários. Creio eu que a vida seja um quebra-cabeça. Nascemos com as peças desorganizadas: não andamos, não falamos, não temos dentes e nem nos lembramos de nada. Somos apenas um bebê. Cada um que pisa nesse chão de terra é um imenso quebra-cabeça com peças espalhadas por aí. Talvez essa seja a graça de viver. Me lembro que, quando criança, eu ganhei um jogo de montar um desenho dos anos 90. Não me recordo de quantas peças ele tinha, mas deduzo que haviam 100. Cuidadosamente eu começo a organizar meu quebra-cabeça e sigo feliz. Mas descubro que é realmente difícil. Muito difícil. Tal como a vida. Pelo meu raciocínio natural de criança, coloco as peças nos lugares errados e insisto, insisto e insisto. Calma, deve ser em outro lugar. E passo a tarde toda concentrada no tal jogo. E foi quando cortei uma peça pra encaixar. Pobre menina. Mudaste o que já estava totalmente feito pra você. Apenas faltou paciência. E no final das contas, nunca mais consegui montar meu quebra-cabeça e aquele jogo frustrado ficou no labirinto da minha infância. Perguntando em direção ao céu porque a gente morre, veio a lembrança dessa experiência talvez insignificante, mas que hoje tornou-se uma resposta plausível pra mim. Viver é esse quebra-cabeça que a gente monta por aí: família, amigos, escola, trabalho, viagem e o mundo. E sabe quando você termina de juntar as peças, a sensação é de alívio? Será que seria a mesma coisa com a morte? Talvez sim. Morrer é quando a última peça é colocada e a sua vida se transforma em um enorme quadro retalhado de imagens, experiências e momentos. Agora entendo porque algumas coisas não dão certo e outras nem esperamos que dê. Alguns pedidos não são realizados, outros que nunca foram feitos e vieram na hora certa. Talvez  isso direcione a idéia de destino. Mas aí eu já contaria uma outra história. Enquanto isso meu quebra-cabeça vai sendo montado. Quer me ajudar?

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